São várias as denúncias contra o jovem Manuel Homem, indicado recentemente Ministro do Interior, que supostamente promove um enquadramento clandestino no processo de recrutamento do SME com a conivência do Ministério das Finanças.
Entretanto, documentos revelam que o MPLA enviou recentemente uma lista para a inserção de dezenas de jovens, entre os quais vários são analfabetos e não possuem qualquer nível de escolaridade.
O Decreto conversou com Esteves Júnior um dos candidatos que contou a sua história de como chegou a ser alistado neste processo de recrutamento. “Eu trabalhava numa gráfica no Aeroporto 4 de Fevereiro. No dia a dia, cruzava frequentemente com um oficial do SME, que costumava ir à gráfica para fazer cópias de documentos”. Durante essas interações, Júnior percebeu a presença marcante do agente, mas jamais imaginaria o impacto que aquele homem teria em sua vida.
Certo dia, começou a circular a notícia de que o SME estava aberto as inscrições para novas vagas no SME. O oficial que era superintendente, disse que o SME estava em busca de candidatos para preencher os quadros da instituição. Júnior, curioso, perguntou sobre a possibilidade de se candidatar. “O oficial sorriu e pediu a copia dos meus documentos. Mesmo incrédulo, entreguei, foi por isso que vim cá parar e não paguei nada”, disse Júnior.
Os dias se transformaram em meses, e os meses, em anos. Júnior seguiu sua rotina na gráfica, enquanto as esperanças de ser chamado para o SME se dissipavam lentamente. Ele mal se lembrava daquele momento até que, em 2023, cinco anos depois, seu telefone tocou.
Do outro lado da linha, uma voz séria perguntou:
— Esteves Júnior?
Surpreso, ele respondeu afirmativamente. A pessoa continuou:
— Beba um pouco de água e depois me ligue novamente.
Confuso e acreditando que aquilo era algum tipo de fraude, Júnior. “Só pode ser brincadeira”, pensou. No entanto, algo dentro dele dizia para levar aquela ligação a sério. Quando retornou a chamada, foi informado que deveria comparecer ao Ministério do Interior para uma inspeção médica no dia 30.
Aos poucos, Júnior começou a entender o que estava acontecer: a vaga que ele havia solicitado em 2018 finalmente se concretizava. Era uma oportunidade pela qual ele já havia perdido as esperanças.
Júnior não foi o único a ser surpreendido. Muitos jovens, que entregaram seus documentos a figuras influentes dentro do sistema (MPLA), estavam a ser chamados anos depois. Um exemplo notável era um colega de Júnior, que confiou seu processo a um deputado do MPLA em 2018 e só recebeu a ligação em 2023.
Por outro lado, a situação suspeitas no processo de realistamento. Denúncias apontavam que centenas de recrutas estão a ser inseridos no SME de forma corrupta e criminosa. Segundo fontes, nomes indicados directamente pelo Bureau Político do MPLA e agora pelo Ministério do Interior, liderado por Manuel Homem, estão a incluir sem seguir os critérios estabelecidos.
Entre os beneficiados, destaca-se parentes de figuras importantes, como Aníbal Julberto Muandumba, supostamente parente directo de Gonçalves Muandumba, secretário para Mobilização e Inserção na Sociedade do MPLA.
Apesar das controvérsias, o processo continua com diversas denúncias de corrupção.
O Decreto