Juristas acusam autoridades de usar indulto dos 50 anos de independência para “lavagem de imagem” do Presidente da República

Juristas acusam autoridades de usar indulto dos 50 anos de independência para “lavagem de imagem” do Presidente da República. A influenciadora digital angolana Neth Nahara, abrangida pelos recentes indultos do Presidente, João Lourenço, afirmou que se dedicará à espiritualidade por ter conhecido Jesus na prisão.

Dos 51 reclusos perdoados, 33 ainda estão encarcerados à espera da conclusão dos processos.

O jurista Manuel Cangundo criticou o que considera ser uma tentativa de capitalizar a imagem do Presidente da República.

No âmbito do indulto presidencial, 28 dos 51 reclusos beneficiados pela medida foram libertados no dia 1º de Janeiro em 11 províncias do país.

Entre os libertados está a influenciadora digital Neth Nahara, que demonstrou arrependimento e prometeu dedicar sua vida a Deus.

Quatro jovens activistas presos no Caquila, Calomboloca e CCL ainda aguardam pela liberdade.

Segundo o porta-voz dos Serviços Penitenciários, Meneses Cassoma, os reclusos libertados em Luanda estavam internados na cadeia de Viana.

Cassoma afirmou que a libertação no estabelecimento penitenciário de Viana ocorreu no dia 1º de Janeiro e que o processo continuará.

Ele mencionou que a entrega do passaporte de Zenú dos Santos depende de outras instituições devido à medida de coação de termo de identidade e residência.

Questionado sobre os activistas presos, o porta-voz dos Serviços Penitenciários, informou que as solturas nas cadeias de Caquila, Calomboloca e CCL ocorrerão nos dias 3 e 6 de do mês em curso.

A influenciadora digital Neth Nahara foi libertada no primeiro dia do ano em uma cerimónia pública realizada na Comarca de Viana.

Em Benguela, Elísio Dundo, condenado por furto, também foi libertado e mostrou gratidão pela decisão presidencial.

Elísio Dundo reconheceu que sua reintegração foi possível graças ao trabalho dos Serviços Penitenciários.

O jurista Manuel Cangundo reiterou que o indulto está sendo usado para melhorar a imagem pública de João Lourenço.

Ele argumentou que essa ação coloca as pessoas em uma condição de submissão, agradecendo por um perdão que, na visão dele, busca capitalizar a imagem do Presidente.

O indulto presidencial já transformou vidas, mas há reclusos que ainda esperam pela liberdade prometida.

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