O tenente coronel das Forças Armadas Angolanas (FAA) na reforma, Pedro Jonas afirmou que, a informação veiculada pelo SIC, que terá desmantelado uma tentativa de um ataque “terrorista”, em Luanda, não passa de uma “maquinação” criada pelo Governo com intuito de instalar o sentimento de medo no seio da população.
Segundo o oficial da reserva, a estratégia visa igualmente “manchar” o nome da UNITA – maior partido na oposição e do seu presidente, Adalberto Costa Júnior.
“É uma maquinação que o SIC fez. São granadas ofensivas que foram apanhadas nos paióis deles para mancharem o nome da UNITA e do seu presidente”, frisou.
Por sua vez, o sociólogo Leopoldino Vitumbaca, entende que o suposto atentado terrorista não passa de uma “distração”, numa altura em que o país, segundo ele, “vive várias situações alarmantes desde a alta taxa de inflacção, o desemprego elevado, o número de crianças com idades escolares fora do sistema de ensino e com o ressurgimento da cólera uma doença ligada à péssima qualidade de vida da população”, citou.
Vitumbaca foi mais longe, afirmando que, a informação trazida pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), é vista como uma “manobra” no intuito de desviar as atenções do propalado escândalo financeiro da Administração Geral Tributária (AGT) onde foram subvertido cerca de sete bilhões de kwanzas prejudicando assim o Estado Angolano.
Para o sociólogo, a informação do propalado atentado terrorista não “representou nenhum ponto de desequilíbrio no meio social e que a vida por parte dos cidadãos segue sem nenhuma pressão, desconfiança e que não existe qualquer tentativa de subversão da ordem”, afirmou.
Entretanto, o ex-militar Vuma Joaquim, num olhar mais técnico, afirma que os engenhos explosivos apresentados não representam qualquer perigo para destruição de infraestrutura de grande porte.
“Estas granadas que na sua estrutura não tem quadradinhos, são chamadas de RDG-5, que são granadas de instrução, só têm o detonador que causa estrondosos, o que quer dizer que não têm estilhaços, a outra que tem os quadradinhos chama-se F-1, estás causam grandes estragos, nós usamos no caso de invadir local inimigo onde tenha mais de 30 alvos (inimigos), para neutralizar”, explicou.
Por seu torno, o especialista em psicologia, Flávio André considera que a apreensão de explosivos e a detenção de indivíduos em planos de alegados “ataques terroristas” podem gerar uma série de reacções adversas na população como “trauma colectivo, desconfiança, Estigmatização, medo, reacções emocionais intensas e transtorno de estresse pós-traumático”, destacou.
Flávio André afirma que, a população nesses casos, pode apresentar sentimentos de “raiva”, “tristeza” ou mesmo “desespero”, em caso de haver perda de vidas humanas ou feridos.
O psicólogo pensa que, diante do “pânico” que se pretende instalar, a população pode deixar de frequentar determinados locais, hora frequentados devido a desconfiança e medo.
Flávio André considera ser importante que a população mantenha a calma e a tranquilidade e confiar no trabalho que está a ser desenvolvido pelos “órgãos de segurança”.
Refira-se que o Serviço de Investigação Criminal (SIC), através do seu departamento de comunicação, informou no sábado, 25 de Janeiro, que foi desmantelado um suposto grupo que tinha intenções de atingir alvos estratégicos como o Palácio Presidencial, a Refinaria de Luanda e o Hotel onde estava hospedado o Chefe de Estado Norte-Americano, Joe Biden, aquando da sua visita ao território angolano.
De acordo com o SIC, 60 explosivos foram encontrados em posse dos presumíveis implicados detidos, e que segundo as autoridades, serviram para a execução do plano.
Tavares Gabriel




