Jornalista acusa agentes da polícia de invadirem sua residência sem mandado nem justificativa

No dia 9 de fevereiro de 2025, cinco agentes da Polícia Nacional de Angola, da esquadra do Zango Oito Mil, invadiram a residência da jornalista Victória Sakutala, da Rádio Despertar, situada no Zango-5, Icolo e Bengo. A operação ocorreu por um suposto engano, ao confundirem a casa da jornalista com a de um indivíduo identificado como “Baloteli”.

A abordagem aconteceu por volta das 5 horas da manhã, quando a jornalista e seus filhos dormiam. Após ouvir um barulho, Victória viu um cerco policial em torno de sua casa. Apesar de pedir justificativas e questionar sobre documentos que autorizassem a acção, os agentes entraram e realizaram buscas sem apresentar qualquer mandado.

A confusão foi gerada por informações dadas por um suposto marginal que acompanhava a operação e indicou erroneamente a casa da jornalista como sendo a de “Baloteli”. A família ficou abalada, mas não houve confirmação de qualquer envolvimento com o alvo da investigação.

O Decreto – Como a senhora descreveria o impacto emocional que esta invasão policial teve sobre si e sua família?

Resposta – A comparência dos agentes da ordem na minha casa neste domingo, criou um impacto negativo para mim e a minha família. Infelizmente os agentes procederam muito mal. Sem nenhuma investigação prévia ou certeza de que era realmente na minha casa onde estava o suposto bandido, eles rodaram a casa toda, como se eu fosse uma criminosa.

O Decreto – Durante a abordagem, houve algum tipo de violência verbal ou física por parte dos agentes da polícia?

Resposta – Durante a abordagem houve sim violência. Eu insisti em dizer que eu não conhecia nenhum jovem chamado Baloteli, mas os agentes gritavam comigo, sem o mínimo de educação a dizer que era a casa sim do Jovem. Fui tida como mentirosa perante os meus filhos, o que quebrou alguma autoridade moral da minha parte. Entretanto, só mais tarde perante a invasiva do menino que mostrou de forma errada a minha casa, é que pensaram em desistir e por conseguinte queriam que o meu filho pequeno devia os mostrar a casa da vizinha que tem o filho chamado que atende pelo nome de Baloteli. Mas, não permiti e exigi que eles abandonassem a residência.

O Decreto – A senhora mencionou ter pedido documentos que justificassem a operação. Como os agentes reagiram a essa solicitação?

Resposta – Eu solicitei sim um documento. E disse a eles, já que insistem que aqui era a casa do tal Baloteli, se tinham pelo menos um documento, eles responderam que não, mas como não queriam sair da minha casa, tive que pedir que 1 dos agentes quando agentes entrasse para verificar se tinha alguém escondido, mas acabaram por entrar todos insistentemente. Inclusive um deles proferiu ameaças a dizer que o dia que eu for a esquadra do 8mil não seria atendida.

O Decreto – Como seus filhos reagiram a essa situação? Algum apoio psicológico foi necessário após o ocorrido?

Resposta – Os meus filhos assustaram-se por causa do aparato policial pela manhã. Eles inclusive quando os agentes entraram, ficaram todos grudados em mim, que foi necessário eu falar com eles a pedir que não se preocupassem porque não iria acontecer nada. A única coisa que os meus meninos falam é do comportamento péssimo que a polícia teve.

O Decreto – Houve algum pedido de desculpas por parte da Polícia Nacional ou qualquer forma de esclarecimento após o equívoco?

Resposta –Sim houve pedido de desculpas. Um dos agentes que lá esteve quando descobriu que não era a casa em que eles estavam a ir pediu desculpas. O Comandante Elias da esquadra do 8000 ligou a pedir desculpas pelo comportamento reprovável que a s agentes tiveram.

O Decreto – Considera que houve abuso de autoridade ou negligência por parte dos agentes durante essa operação?

Resposta – Houve sim abuso de poder. Os agentes, não mais respeitavam a mim e aos meus filhos, faziam passagem de modelo com armas dentro da minha casa e um deles quando pedi que se retirassem mandou-me calar a boca.

O Decreto – O que espera das autoridades em termos de responsabilização dos envolvidos ou melhoria de protocolos para evitar novos casos semelhantes?

Resposta –  Bem! Eu espero que os agentes envolvidos, sejam responsabilizados e tenham um corretivo a altura. A polícia se é republicana, não pode ter agentes com comportamento de vândalos ou sem pedagogia. Claro que assim como eu e a minha família, há muita gente a passar por maltratos por parte de alguns agentes, que pensam que ao colocar a farda então pode desrespeitar o cidadão.

O Decreto

BantuBet
Bónus até 50.000 Kzs O bónus está disponível exclusivamente para novos inscritos.
Criar Conta
blank

O Decreto é um portal de notícias de Angola sobre actualidade, direitos humanos, corrupção, opinião e liberdade.

CONTACTOS

© 2020-2025 O Decreto | Todos os direitos reservados