A crise de emprego e da falta de oportunidades para a juventude angolana têm gerado uma mudança preocupante nas aspirações de muitos jovens. Para alguns, o sonho de um futuro promissor tem sido substituído pela ilusão do crime como alternativa viável.
Josemar Pedro Mambo Sebastião, um jovem angolano de 18 anos de idade, compartilha sua visão sobre o que os jovens pensam nos dias de hoje: “O meu sonho é ser um engenheiro de petróleo. Mas as coisas aqui em Angola são muito difíceis, porque o jovem não tem aquela oportunidade que se espera. E o emprego aqui é duro. Quando você termina, se não tiver alguém na cozinha, ou um padrinho que te ajude, você não vai ser nada. Ou você vai ser empregado de alguém, ou você vai preferir ser um delinquente”, disse.
A visão de Josemar reflete o desespero de muitos jovens que veem no mundo do crime um caminho para conquistar estututo e sustento. Com a taxa de desemprego elevada e a precariedade das condições de vida, a criminalidade acaba se tornando uma opção para aqueles que se sentem excluídos das oportunidades econômicas e sociais.
Cristina Frederico de 19 anos, outra jovem angolana, também aponta o impacto da falta de perspectivas e refere-se que a busca por melhores condições de vida também leva muitos jovens a considerarem “a emigração como única alternativa viável”. No entanto, Josemar alerta que essa não é sempre a solução ideal: “Lá fora também é difícil. Eles também acordam cedo, fazem racismo, vão te escravizar. Nosso próprio país não valoriza muito. E achas que fora vão te valorizar? É difícil”, disse.
Diante desse cenário, especialistas apontam que é essencial criar políticas que incentivem o emprego juvenil e promovam oportunidades reais de desenvolvimento econômico. Sem essas ações, o risco de uma geração inteira perder a esperança em um futuro digno só tende a crescer.
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