Activista de Benguela faz greve de fome por três dias em protesto contra a miséria no país

O jovem activista da província de Benguela, Branceslau Wasuka, levou a cabo uma greve de fome de três dias em Benguela, propriamente na Rotunda da Cruz Vermelha, por conta da condição social do país e exigindo ao Governo, liderado pelo Presidente João Lourenço, mais atenção nas políticas públicas. Entretanto, o activista evoca questões como exclusão, injustiça, opressão e miséria como pano de fundo do seu protesto.

Falando a O Decreto, Branceslau Wasuka disse que as razões que o levaram a fazer uma greve de fome assentam-se nas dificuldades que a sociedade tem enfrentado, desde a falta de emprego, escolas e hospitais. Por outro lado, o jovem activista disse que a data do seu aniversário (15 de abril) foi uma das principais razões que o levaram à rua, porque não via motivo para celebrar o seu aniversário com “fome”, preferindo compartilhar a sua dor com as pessoas que passam por dificuldades, como os meninos de rua.

Entretanto, o activista diz não acreditar que, mesmo com os 50 anos de independência e 23 anos de paz, o país ainda se depare com questões de fome e de doenças que, em outras latitudes, já foram erradicadas, como a “cólera e a malária”, que continuam a ceifar vidas.

“Estamos a 50 anos de independência e 23 anos de paz, ainda assim temos uma vida muito difícil, uma vida que só Deus sabe, com as pessoas a morrerem de cólera e de malária. É vergonhoso”, frisou.

Branceslau Wasuka disse que o objetivo da greve de fome foi levar uma mensagem de revolta ao Governo provincial e central, de maneira a prestarem atenção aos mais necessitados e a criarem políticas públicas que beneficiem todos os cidadãos angolanos.

“O objectivo dessa greve de fome foi pressionar o Governo provincial de Benguela e o Governo de Luanda a prestarem atenção aos meninos de rua e a criarem políticas públicas que incluam todos, porque há muita gente a sofrer e a morrer de fome neste país”, afirmou.

O jovem activista Branceslau Wasuka exorta o Governo angolano a respeitar o que está instituído por lei e a respeitar as instituições para melhor gestão e governação por parte do Executivo.

Recorde-se que o jovem activista iniciou a sua greve de fome de três dias nesta terça-feira (15.04.2025) e terminou quinta-feira (17.04.2025), na cidade de Benguela, propriamente na Rotunda da Cruz Vermelha.

Tavares Gabriel

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