Foi confirmado na tarde de sábado, 10, o falecimento do jornalista Fernando Festo Satchimola, da Rádio Despertar. O profissional da comunicação social encontrava-se internado há mais de duas semanas no Hospital Geral de Viana “Bispo Emílio de Carvalho”, enfrentando um delicado quadro clínico.
De acordo com fontes médicas ouvidas por O Decreto, Satchimola precisava de transfusões regulares de sangue, cerca de 400 ml (4 unidades) a cada três dias, enquanto o seu organismo conseguia produzir apenas 18 ml, levantando suspeitas de uma possível leucemia aguda.
A gravidade da situação levou amigos e colegas a mobilizarem esforços para transferi-lo para a vizinha República da Namíbia, mas o estado de saúde agravou-se rapidamente. No início da tarde de sábado, a equipa médica comunicou aos familiares que o jovem não resistiu: “O paciente precisava de um transplante. Infelizmente, apesar de a Lei de Transplantes ter sido aprovada em 2019, ainda não está a ser implementada no país”, lamentou um cirurgião.
Outro médico, que preferiu o anonimato, expressou frustração com o estado do sistema de saúde nacional: “Estamos ainda a lutar contra o paludismo. É leucemia?! Era praticamente impossível salvar o paciente nestas condições”, disse o médico.
A Lei n.º 20/19, que regulamenta a doação e transplante de órgãos, tecidos e células humanas em Angola, foi aprovada pela Assembleia Nacional em agosto de 2019 e promulgada no mês seguinte. No entanto, continua sem aplicação prática, deixando casos como o de Satchimola sem opções viáveis de tratamento.
Colegas e amigos lamentam o passamento físico do profissional.
Gonsalves Vieira, Chefe de Produção da Rádio Advento, diz que: “Satchimola foi um jovem batalhador, muito dedicado ao trabalho, humilde e muito respeitador. Tratava-me por ‘comandante’, pois durante muito tempo fui responsável do sector de reportagem da Rádio Despertar. Ele não aceitava gravar nenhuma peça sem antes mandar para mim o texto para eventual correção, sempre no espírito de querer aprender”, disse, acrescentando que, em suma, Satchimola foi um colega, irmão e companheiro.
Para Manuel Pedro, político do MPLA, “alguém com quem partilhei alguns momentos, por força do cruzamento familiar. Mas conheci nele um jovem com vigor, vontade de ser e fazer melhor, mas engolido pelas circunstâncias à sua volta”, disse.
Natural de Luanda, Fernando Festo Satchimola era filho de Valentim Kamunda e de Maria Fernanda. Deixa viúva e três filhos.
O funeral está marcado para as 10horas desta quarta-feira, no cemitério de Viana.
O Decreto




