Expulsão da RTP do Palácio Presidencial agrava tensão entre Angola e Portugal

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) condenou, nesta quinta‑feira, 15 de maio de 2025, a decisão da Presidência da República de expulsar a equipa da Rádio Televisão Portuguesa (RTP) da sala de imprensa do Palácio Presidencial, enquanto cobria o encontro entre o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço e o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, realizado em 12 de maio de 2025, às 17h.

Para o SJA, trata‑se de um “gravíssimo ataque à liberdade de imprensa”. A entidade afirma não compreender a medida, pois os jornalistas da RTP estavam devidamente credenciados e incluídos na lista oficial de órgãos autorizados a acompanhar eventos no Palácio.

Em nota remetida a O Decreto, o SJA manifestou solidariedade aos profissionais da RTP e exortou a Secretaria de Imprensa da Presidência a retratar‑se e a reverter a decisão.

A RTP classificou a expulsão como um “atentado à liberdade de imprensa e violação dos princípios fundamentais do jornalismo e da democracia”. A emissora portuguesa foi igualmente retirada do grupo de WhatsApp do Centro de Imprensa da Presidência da República (CIPRA), canal oficial de divulgação da agenda institucional.

Na sexta‑feira, a Presidência angolana reagiu, acusando a RTP de “vitimização” e alegando que o acesso foi barrado em consequência de “notícias tendenciosas”. Segundo comunicado publicado na página oficial da instituição, a RTP foi formalmente notificada em 15 de abril de 2025 sobre a cessação de participação em eventos no Palácio, mas teria ignorado a decisão.

O mesmo comunicado sublinha que “nenhum órgão entra no Palácio sem credenciamento” e considera a reação da RTP prejudicial às relações bilaterais. Já o Governo português lamentou “profundamente” o incidente, reiterando o “pleno respeito de Portugal pela liberdade de imprensa” e prometendo abordar o tema pelos canais diplomáticos adequados.

Sindicatos de jornalistas de Angola e Portugal uniram‑se no repúdio à medida, exigindo que a Presidência angolana reconsidere a posição e restabeleça o acesso da RTP.

Tavares Gabriel
O Decreto

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