O segundo dia (29) da paralisação dos taxistas ficou marcado por actos de pilhagem, desobediência as ordens das forças de ordem em várias zonas de Luanda e da província do Icolo e Bengo.
No município do Calumbo, zona do Zango, 1, 2, 3 e 4 foram onde se registaram os maiores danos no Icolo e Bengo. Já em Luanda, os actos de pilhagem ocorreram em zonas como a Mabor, Vila de Viana, Paragem da Mutamba e Cacuaco.
As autoridades confirmaram a detenção de mais de mil cidadãos e o registo de cinco mortos até ao momento.
O Arcebispo de Saurimo e Presidente da CEAST – Conferência Episcopal de Angola e São Tomé –, Dom José Manuel Imbamba, condenou os actos de vandalismo e pilhagem, sublinhando que estes comportamentos não reflectem a sociedade que o país deseja construir.
Dom Imbamba advertiu que a juventude tem revelado um preocupante vazio de civismo e desrespeito pela vida e pelos bens alheios, apelando a uma maior consciência social e sentido de responsabilidade. Defendeu igualmente que todos os implicados nestes actos devem ser responsabilizados.
A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) declarou que a greve dos taxistas, iniciada na segunda-feira, 28 de Julho de 2025, constitui uma forma legítima de pressão social, tendo como objectivo chamar a atenção do Executivo para as medidas de austeridade que têm afectado o povo angolano.
Ainda que reconheça que a paralisação teve início de forma pacífica, a organização manifestou indignação pelo facto de os protestos terem descambado em confrontos, pilhagens de estabelecimentos comerciais e vandalismo de bens públicos e privados.
A AJPD encorajou os cidadãos lesados em Luanda a apresentarem queixas contra o Estado angolano, considerando que este falhou no dever de garantir a segurança dos bens vandalizados. Salientou, ainda, que essa responsabilidade não deve ser imputada à ANATA, associação que representa os taxistas e que se demarcou publicamente dos actos destrutivos.
A organização responsabiliza a administração pública por omissão e negligência, por não ter garantido protecção suficiente ao património público e privado durante a greve.
A AJPD apelou também à Ordem dos Advogados de Angola para que intervenha no sentido de assegurar que os direitos dos cidadãos detidos – incluindo os taxistas – sejam respeitados ao longo dos processos legais decorrentes destes protestos.
Coque Mukuta
O Decreto




