Circula nas redes sociais um vídeo que dá conta de uma reunião entre os partidos políticos concorrentes às tantas eleições de 7 de Outubro em Moçambique.
O encontro com a finalidade de encontrar uma saída para ondas de manifestações, no País do Índico, não contou com a presença daquele que é, de momento, a figura política mais importante de Moçambique, aliás, tudo indica que no momento que se realizava a reunião, Venâncio Mondlane dirigia-se a milhares de seguidores, num comício improvisado, após a sua chegada ao País, depois de três meses fora, alegadamente em razão de tentativas de assassinato.
De recordar que, dois elementos próximos a Mondlane ( o advogado Elvino Dias e o ativista Paulo Guambe)foram barbaramente assinados em plena cidade de Maputo. Facto tido como principal catalizador das manifestações de apoio e solidariedade a Mondlane.
No fim da dita reunião interpartidária, um jornalista perguntou ao candidato anunciado vencedor, Daniel Chapo, se não contava incluir Mondlane nas negociações. Chapo, visivelmente perturbado e numa clara falta de sabedoria, respondeu : esse encontro é só entre os partidos políticos.
Depois vamos falar com a sociedade civil, porque há questões técnicas nas reformas que devem ter a participação da sociedade civil. Ora, ora, Sr. Chapo da FRELIMO, parece que não está a perceber bem o que se está a passar: a questão é, quer tenha vencido ou não as eleições, deve sempre considerar a vontade do povo. Só existe um Estado por conta das pessoas.
São as pessoas que decidem que Estado querem e quem os vai governar. Ora, se as pessoas manifestam-se e não querem o Sr. Chapo como Presidente, como então, resolver o impasse? Devolver a gestão do Estado a quem o povo entender que está em melhores condições para governar. Essa pode ser a saída mais equilibrada. Contudo, pode-se ainda e, no âmbito das responsabilidades políticas, enveredar-se por um governo de unidade nacional.
Na verdade, embriagada pelo poder, a FRELIMO ignorou os sinais. Em 2023, Mondlane só não venceu as eleições na cidade de Maputo por pura infelicidade. Aliás, pelas mesmas razões que não será ele a tomar posse em 15 de Janeiro, em função das presidenciais em Moçambique.
A FRELIMO simplesmente não fez o trabalho de casa; ou seja, confiou em demasia no uso da força. E o resultado aí está: A autoridade na rua! Qualquer que seja o desfecho da crise, o povo será sempre o grande vencedor. Muito dificilmente uma outra figura roubará o título de pior Presidente de Moçambique ao ilustre Filipe Jacinto Nyuse.
Rui Kandove




