Após a realização do Censo Geral de 2024, multiplicam-se as queixas de agentes censitários que participaram no processo, denunciando a falta de pagamento dos subsídios a que têm direito. Como forma de protesto, um grupo de recenseadores anunciou a realização de uma vigília no dia 28 de março de 2025, em Luanda.
Durante a execução do Censo, os agentes já relatavam dificuldades, incluindo atrasos no pagamento dos subsídios de alimentação e transporte, além da falta de condições adequadas de trabalho. Agora, com o encerramento das actividades, a frustração aumenta diante da falta de cumprimento do contrato por parte do Instituto Nacional de Estatística (INE).
“O INE está a ser maldoso”
Segundo Gelson Paulo, um dos agentes censitários afetados, o INE não honrou integralmente os compromissos assumidos: “O Instituto Nacional de Estatística está a ser maldoso, porque não cumpriu o contrato e ignora as dificuldades que enfrentámos na recolha dos dados”, afirmou.
O agente destacou os desafios vividos durante o trabalho de campo, como o acesso a zonas de risco, becos, valas e áreas de alta criminalidade, além da exposição a intempéries: “Passámos por muitas dificuldades: chuva, sol intenso, terrenos de difícil acesso e até ameaças em bairros perigosos”, relatou.
Gelson Paulo estima que cerca de 250 jovens em Luanda enfrentam essa situação, frisando que a vigília será apenas um primeiro passo para exigir uma solução: “Não somos marginais, só queremos o nosso dinheiro”
Os agentes censitários apelam à Polícia Nacional para que não encarem o movimento como um acto de desordem: “Nós não somos delinquentes, só queremos receber o nosso dinheiro e mais nada”, lê-se numa nota divulgada pelos organizadores do protesto.
Os jovens garantem que a mobilização não se trata de uma manifestação violenta, mas sim de uma vigília pacífica, sem actos de vandalismo.
O Decreto apurou que o problema não se restringe a Luanda, estendendo-se a outras províncias do país, ampliando o número de jovens descontentes com a falta de pagamento dos seus subsídios.
Tentamos sem sucesso ouvir a direcção do INE
Tavares Gabriel
O Decreto




