FLEC acusa UNITA de conluio com MPLA para enganar o povo de Cabinda partido responsabiliza governo de Angola por comunicado em nome da FLEC

A Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) acusou a UNITA de pretender “ludibriar” o povo de Cabinda, com o lema, que para o movimento que defende a independência da província mais ao norte de Angola, “espelha bem, um maquiavélico plano”, supostamente coordenado entre o MPLA e a UNITA, “que pretendem despojar do espaço de que ambicionam, por causa das suas terras raras abundantes na região”, o que para a FLEC, “é justificado pela presença de tantos militares das FAA, depois de Luanda”.

Em comunicado tornado público, a Direcção Política da FLEC-FAC, em reunião extraordinária realizada na passada quarta-feira, 26 de Março, alega ter “deplorado profundamente”, o objectivo da escolha de Cabinda, como o palco das Jornadas do Grupo Parlamentar da UNITA, sob o lema: “Pela autonomia local, ao Serviço do Cidadão”.

Conforme o comunicado, a FLEC-FAC, lamenta informar à UNITA e ao seu Grupo Parlamentar, quanto se revela paliativo e insustentável, da realidade de Cabinda, o lema das suas jornadas, porquanto, a impostura de qualquer vontade política ao povo de Cabinda, não encontra qualquer espaço para navegar, “condição agravada pelo vosso exercício mercenário de um plano arquitectado, pelo regime que julga ser fácil, capitular uma organização contra a qual combate há meio século”.

No documento, a FLEC-FAC, aconselha ao Grupo Parlamentar da UNITA, a fazer um projecto-lei, para ser submetido à Assembleia Nacional, no sentido de se cessar-fogo e, ser criado o espaço de diálogo, com vista se encontrar a saída necessária, pois as autarquias locais, de acordo com a FLEC, “seja quais forem, ainda  são um imperativo constitucional e não um projecto atípico e exclusivo para Cabinda”.

“Qualquer variável Político-Administrativa, deve emanar-se das partes a consignar o diálogo, após a cessação das hostilidades”, lê-se.

O comunicado lembrar que a renúncia pública da cidadania angolana pela população de Cabinda, “é um facto, desde já  preconizado, através do qual, os Bilhetes de Identidade angolanos, serão depositados nas urnas eleitorais seja em autarquias ou eleições gerais, em 2027”, acrescentando que “não vemos, que cidadãos angolanos em Cabinda, sustentam o vosso lema”.

“Senhor Presidente da UNITA, abranda a sua eloquência, pois já não convence ao povo de Cabinda, enquanto se identificar antecâmara, do maquiavelismo do MPLA, facto de se beneficiarem do dinheiro que o petróleo de Cabinda, ainda vos proporciona”, ressalta.

Para a FLEC, o cessar-fogo, “é a condição sine quo non e, se alguém julga-se capaz de contornar a regra universalmente reconhecido pelo Direito Internacional, esse é tão quanto é a UNITA que julga que em Cabinda, não se vive sem churrasco”.

“Não nos aconselhem exigir menos, pois as manobras nesse processo, só antecipam-nos, o vosso desespero. O povo de Cabinda, está decidido, para a defesa do espaço que lhe resta, combatendo contra todas as manobras, tendentes à sua usurpação”, finaliza.

UNITA acusa regime de Luanda de ser responsável pelo documento em nome da FLEC

Reagindo ao comunicado da FLEC, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior “desvalorizou” à imprensa o documento em causa, argumentando apenas que “aquilo que me dizem é uma fake news”.

O líder da UNITA, que procedeu à abertura, em Cabinda, das XII Jornadas Parlamentares, sem avançar detalhes, acusou o “regime de Luanda” de ser supostamente o responsável pelo referido comunicado. “Aquilo foi feito nos gabinetes da Presidência de Luanda”, comentou.

FLEC confirma autoria do documento

Entretanto, este portal contactou o líder da FLEC, Emmanuel Nzita Tiago e o seu porta-voz, Jean Claude Nzita, ambos confirmaram a veracidade do comunicado do dia 26. “Os dois são comunicados oficiais de imprensa da FLEC”, disse ao O Decreto, Jean Claude Nzita.

Dois dias depois do primeiro comunicado, a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda, no dia 28 de Março, fez sair o segundo comunicado de imprensa, onde o movimento manifestou-se sobre a recente declaração do grupo parlamentar da UNITA em relação à paz na província, reafirmando a sua disposição para negociações, mas condicionando o diálogo ao reconhecimento do direito à autodeterminação do povo de Cabinda.

Num comunicado divulgado esta sexta-feira, 28 de Março, a FLEC-FAC teceu duras críticas ao Presidente da República, João Lourenço, considerando-o um mediador ineficaz em conflitos regionais.

A organização apontou os fracassos do Chefe de Estado angolano na mediação entre a República Democrática do Congo (RDC) e o grupo rebelde M23, bem como nas crises da República Centro-Africana e da Guiné-Bissau.

A FLEC-FAC alertou no entanto para os riscos que, na sua visão, a liderança de João Lourenço na União Africana pode representar para a reputação da organização continental. Segundo o comunicado, “os fracassos do Presidente angolano serão importados para a União Africana, comprometendo seriamente a sua credibilidade”.

No que diz respeito ao conflito em Cabinda, a FLEC-FAC sublinha que João Lourenço “não é um interlocutor credível” para qualquer negociação e acusa o governo de negar a existência da guerra na província, apesar das perdas humanas registadas.

Apesar das críticas, a organização reafirmou o seu compromisso com uma solução pacífica e garantiu estar aberta ao diálogo com responsáveis políticos angolanos, aguardando, no entanto, sinais concretos do Executivo que demonstrem vontade real de negociar.

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