Um grupo de jovens saiu às ruas neste sábado, 12 de Abril de 2025, na cidade de Benguela, para protestar contra a subida do preço dos combustíveis, o agravamento do desemprego e a fome que, segundo os organizadores, já “bate à porta de muitas famílias angolanas”. A manifestação teve lugar nas imediações do Aeroporto 17 de Setembro e decorreu sob fortes críticas à governação do MPLA.
Os manifestantes afirmam que o país vive um “cenário de sufoco”, onde a maioria da população enfrenta sérias dificuldades para garantir o pão de cada dia, devido à falta de emprego e ao aumento constante do custo de vida. Denunciam também a falta de vontade política por parte dos dirigentes, que acusam de estarem alheios ao sofrimento do povo.
“A vida está cada vez mais cara. O desemprego está no auge, e os preços dos produtos sobem todos os dias. O povo está a viver mal, e quem governa parece que está num outro país”, desabafou Isabel Ombaka, uma das coordenadoras do protesto, em declarações à O Decreto.
A jovem manifestante considerou “insustentável” o preço actual do gasóleo, que ronda os 300 kwanzas por litro, e classificou a liderança do Presidente João Lourenço como “incompetente e sem sensibilidade social”.
Isabel aproveitou para apelar à Polícia Nacional (PN) que atue com disciplina e respeito à legalidade, garantindo o direito dos cidadãos à manifestação pacífica. “Queremos ordem, não repressão. A polícia deve proteger, não intimidar”, frisou.
Num tom de apelo, a jovem encorajou outros cidadãos, dentro e fora de Benguela, a aderirem à onda de protestos, como forma de pressionar por mudanças estruturais no país. “Angola é de todos. Se ficarmos calados, nada vai mudar”, concluiu.
A manifestação decorreu sob olhar atento das forças da ordem, mas até ao fecho desta matéria, não foram registados incidentes de maior gravidade.
Tavares Gabriel
O Decreto
