Na madrugada desta sexta-feira, 23, por volta das 5 horas, no KM 30, município de Viana, província de Luanda, concretamente no chamado bairro “Adão e Eva”, cidadãos foram surpreendidos com assassinato de cinco supostos marginais abatidos por supostos efectivos do SIC.
“Durante a madrugada, o bairro despertou com cinco corpos cravados de balas, dos quais três apresentavam sinais de disparos no rosto, um no abdômen e outro na cabeça”, denunciou Ana João Silvestre, também conhecida por “Adão e Eva”.
“Aqui a convivência não é fácil, principalmente por causa do acesso difícil e da falta de patrulhamento. Estamos preocupados com a situação”, declarou Ana João.
Justo Daniel, residente no bairro há mais de um ano, acrescenta que ultimamente, tem havido episódios estranhos: “Parece que o bairro se tornou um lugar de abate, com o SIC trazendo milicianos de outras zonas para cá. Além disso, enfrentamos falta de energia estatal e os custos estão insuportáveis”, clamou.
Nos últimos meses, o aumento de assassinatos em Luanda tem gerado medo, com denúncias de supostos “esquadrões da morte”. O Serviço de Investigação Criminal (SIC) afirma desconhecer os autores, mas investiga as mortes. Angola tem registado vários casos de assassinatos de jovens entre 17 e 29 anos.
Entretanto, analistas políticos afirmam que os esquadrões da morte são grupos paramilitares que operam fora do sistema judicial, por vezes ligados às forças de segurança do Estado, num contexto de fragilidade institucional e corrupção.
O jurista Manuel Cangundo, por exemplo, destaca a ligação desses grupos às forças de segurança e a repressão, sugerindo que tais execuções sumárias ocorrem sob a proteção de elementos do SIC.
O professor Agostinho Canando aponta para a impunidade e falta de transparência nas investigações como sinais alarmantes. A crescente violência e assassinatos de jovens têm criado um clima de medo e questionamento sobre a eficácia das instituições.
O superintendente Manuel Halaiwa, porta-voz do SIC, disse recentemente, que as autoridades estão a investigar as causas e os responsáveis por esses crimes. “O SIC vai continuar a desempenhar a sua função e será implacável com todos aqueles que enveredarem por esses caminhos”, disse Halaiwa.
Além do Zango, corpos foram encontrados recentemente em Cacuaco, Cazenga e Icolo e Bengo. A Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD) apelou à intervenção da Assembleia Nacional (AN) para esclarecer tais assassinatos, enquanto o investigador Rafael Marques denunciou anteriormente a existência de execuções sumárias em Luanda.
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