Angola perdeu uma das suas figuras mais marcantes no jornalismo. Ismael Mateus, conselheiro do Presidente da República, escritor, radialista e uma das grandes referências da comunicação social no país, morreu na madrugada desta terça-feira, 1 de outubro, vítima de um acidente de viação em Luanda. O país está em choque, e as homenagens não param de chegar.
Era por volta das 05h40, na Avenida 21 de Janeiro, sentido Gamek-Aeroporto, quando o trágico acidente levou a vida de Ismael Mateus, jornalista, escritor e membro do Conselho da República. Segundo a polícia, a viatura que conduzia despistou-se, embatendo num obstáculo fixo, provavelmente devido ao excesso de velocidade. A morte foi imediata.
Ismael Mateus, natural do Bengo, tinha 60 anos e deixou um legado profundo no jornalismo angolano. Fundador e secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, era conhecido pela sua postura crítica e pelo compromisso com a verdade. Trabalhou em várias plataformas, desde a Rádio Nacional de Angola até à TV Girassol, e, nos últimos tempos, era colunista no Novo Jornal, onde assinava crónicas.
O Presidente da República, João Lourenço, expressou profunda consternação pela perda de Ismael Mateus, lembrando que Angola perde um intelectual que sempre soube aliar a crítica construtiva com o civismo e o respeito pelas instituições democráticas. Para o Presidente, Mateus era “um exemplo para as novas gerações, um mestre, um modelo a seguir.”
Entre os seus colegas de profissão, a dor é enorme. Armindo Laureano, director do Novo Jornal, descreveu Ismael Mateus como “um jornalista de mão cheia, sempre preocupado com os desafios da profissão”.
Também Luísa Rogério, presidente da Comissão de Carteira e Ética (CCE), deixou palavras emocionantes: “Embora nunca tenhamos trabalhado na mesma redação, sempre considerei o Ismael como o meu chefe de redação paralelo”.
Ismael Mateus foi um defensor fervoroso das necessidades do povo angolano, com crónicas como “Bué de Bocas”, na Rádio Nacional de Angola, e “Recados para o meu Chefe”, na Rádio Luanda Antena Comercial. A sua crítica à governação e à realidade social de Angola fazia dele uma referência do jornalismo combativo e de qualidade.
O país lamenta a partida de um dos seus grandes filhos. As redes sociais e a comunicação social ecoam o pesar da sociedade pela perda de uma voz que, com coragem e dedicação, contribuiu para o debate público e para a defesa dos valores democráticos.
Neste momento de dor, a Comissão de Carteira e Ética curva-se perante a memória de Ismael Mateus, que foi uma peça-chave na luta pela ética e deontologia no jornalismo angolano.
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