Efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e segurança da empresa privada “Kadyapemba” estão a ser acusados de terem torturado um cidadão (garimpeiro) até à morte, na zona de Posto Brilhante, nas mediações entre os bairros Pone Muamuxico e Candogo, uma área de maior concentração de garimpeiros em Cafunfo, província da Lunda-Norte.
Segundo apurou O Decreto, um dispositivo das Forças Armadas Angolanas (FAA) afecta à Unidade do Município de Camaxilo, foi chamado pela empresa Sociedade Mineira do Cuango (SMC), para em colaboração com a empresa de segurança “Kadyapemba”, realizar uma operação, que visou “correr” com os supostos garimpeiros nas áreas de exploração artesanal de diamantes.
Devido às dificuldades para a sobrevivência, a população de Cafunfo, na sua maioria jovem, tem se concentrado arredores dos Bairros Pone, Muamuxico e Candongo, onde têm pago dinheiro aos supostos seguranças “Kadyapemba” para terem acesso às zonas de exploração de pedras preciosas.
Na madrugada terça-feira, 18 de Março, conformou relatos de testemunhas, um contingente das Forças Armadas Angolanas e seguranças “Kadyapemba”, durante a operação, um garimpeiro caiu nas malhas das forças, “quando foi abordado, sem piedade, torturaram até à morte” um o cidadão, identificado por José Jorge, 22 anos, natural do município do Cuango, e que residia no Bairro Elevação, em Cafunfo.
Segundo Augusto Garcia, tio da vítima, o corpo do malogrado foi encontrado com sinais de tortura, tendo apresentado esfaqueamentos no peito, na cabeça, nas costas bem como ferimentos no rosto como resultado de vários golpes de coronhadas de armas de fogo, facto que causou a sua morte.
Depois do incidente, uma equipa afecto a investigação Criminal, Serviço de Proteção Civil e Bombeiros, e na companhia do senhor “Srra-2”, responsável máximo da segurança “Kadyapemba”, levaram o corpo e depositaram na Morgue do Hospital Regional de Cafunfo enquanto procurava dos familiares e a identificação da vítima.
Yotana Augusto Garcia, irmã da vítima, diz que seu irmão tinha saído no domingo, 16 de Março, dirigiu até a zona de Pone à procurar pão para o sustento da família e naquele dia já não regressou à casa como tinha sido de costume.
“Passando dois dias, ouvimos nas redes que no hospital há un corpo de um jovem que foi torturado até à morte pelos efectivos das FAA e Kadyapemba, mas não tem identificação pessoal e nem da família, quando fomos ao hospital e mais outras pessoas, encontramos o corpo do meu irmão já sem vida e com vários vestígios de tortura”, contou.
Ressaltou ainda que “fomos até à Esquadra nos informar sobre a morte, os agentes da Polícia Nacional nos disseram que, o vosso irmão foi torturado até à morte pelos efectivos das FAA, mas os autores já se encontram sob tutela da Polícia de Investigação Criminal”, disse.
Activistas dos direitos humanos condenam o acto
A situação de violação dos direitos humanos em Cafunfo, de acordo com os activistas, “continua a ser protagonizada pelos órgãos de defesa e de segurança privada, num país que se diz ser membros das Nações Unidas dos direitos humanos, no fundo é uma forma de enganar a comunidade internacional”.
Os activistas ouvidos pelo O Decreto contam que tomaram conhecimento da ocorreram, quando uma equipa de Investigação Criminal e Servico de Protecao Civil e Bombeiros transportou o corpo da vítima numa viatura da segurança Kadyapemba, e trouxeram no Hospital de Cafunfo para ser conservado na morgue enquanto não tinha se localizado os familiares, sem respeito a vítima, o corpo era embrulhado numa lona preta”, disse um dos activistas.
Familiares revelam que, para custear as despesas do óbito, a empresa de segurança “Kadyapemba” disponibilizou uma quantia de 450 mil kwanzas para a compra do caixão, e demais gastos do funeral, de acordo com uma nota de entrega que este portal teve acesso.
O Decreto




