Líderes juvenis acusam governo João Lourenço de hostilizar e excluir jovens
Líderes de várias organizações juvenis acusaram, esta quarta-feira, 16 de Abril, o Executivo liderado por João Lourenço de hostilizar, instrumentalizar e abandonar a juventude angolana, ao invés de integrá-la nas políticas públicas que respondam às suas reais necessidades.
O posicionamento foi tornado público durante uma conferência de imprensa realizada no auditório das Irmãs Paulinas, em Luanda, onde a plataforma de organizações juvenis – composta pelo Movimento de Estudantes Angolanos (MEA), Juventude Nacional para a Libertação de Angola (JNFLA), Juventude do Partido de Renovação Social (JURS) e Juventude do Bloco Democrático – denunciou o que chamou de “real estado da juventude angolana”.
O presidente do MEA, Francisco Teixeira, classificou o encontro como uma oportunidade para unificar as vozes juvenis e prometeu que a juventude deixará os discursos para partir para a acção apelando maior pressão contra Executivo de João Lourenço. “É necessário aumentar a pressão contra o Governo, não só de forma institucional, mas também com acções de rua, face à situação de abandono a que os jovens estão remetidos”, afirmou.
Durante o encontro, os líderes destacaram três áreas críticas: Educação, Empregabilidade e Habitação, apontando para o fraco investimento público e a falta de políticas inclusivas. “Há milhares de jovens em idade escolar que não conseguem prosseguir com os estudos devido à falta de escolas e ao reduzido investimento no sector da educação”, lamentaram.
Para os líderes presentes, a juventude deve ser encarada como o presente da nação, e não apenas como o seu futuro. No comunicado final da conferência, apelaram ao Governo para garantir que os jovens tenham acesso às ferramentas e oportunidades necessárias para contribuir para a paz e o desenvolvimento sustentável do país.
As organizações repudiaram também o que consideram ser uma instrumentalização da juventude por parte do MPLA, denunciando a tendência de apoiar apenas jovens afectos ao partido no poder. “O Ministério da Juventude e Desportos, liderado por Rui Falcão, tem servido apenas os interesses dos jovens do partido no poder, ignorando a juventude no seu todo”, acusou Adilson Manuel, representante da Juventude do Bloco Democrático.
Em matéria de habitação, os jovens destacaram a dificuldade extrema para a aquisição da casa própria, devido ao alto custo dos materiais de construção e à ausência de crédito bonificado. “A maioria dos jovens não consegue construir a sua casa por falta de acesso ao crédito e apoio do Estado. Isso compromete o sonho da juventude em ter habitação digna”, frisaram.
Francisco Teixeira denunciou ainda a discriminação dos jovens angolanos no acesso ao crédito em relação aos estrangeiros. “Não é justo que um cidadão estrangeiro consiga crédito com facilidade e o angolano não. O cidadão nato deve ter prioridade”, defendeu.
Já Jaime Vunge, secretário da Juventude do Partido de Renovação Social (JURS), pediu mais aposta na formação técnico-profissional, como via eficaz para combater o desemprego juvenil. “O Governo deve entender que o ensino técnico-profissional é uma ferramenta indispensável para preparar a juventude e integrá-la no processo produtivo do país”, sublinhou.
A plataforma de líderes juvenis concluiu com um apelo ao reforço da mobilização juvenil, garantindo que a luta por melhores condições de vida não será abandonada. A juventude, afirmaram, continuará a exigir os seus direitos, por via do diálogo e da manifestação pacífica, até ser verdadeiramente incluída nas prioridades nacionais.
Tavares Gabriel
Odecreto




