Dois activistas, Dumild Manuel Molongue e Geraldo Dala, relatam terem sido detidos, humilhados e abandonados em locais ermos de Luanda, depois de tentarem realizar uma vigília pacífica em solidariedade aos presos políticos. O acto, marcado para o Jardim da Igreja de São Domingos, foi proibido pelo Governo Provincial e reprimido pela Polícia Nacional.
“O dia 17 de Outubro expôs mais uma vez a ditadura imposta pelo MPLA”, declarou Dumild Molongue, que descreve o momento em que o grupo foi surpreendido por agentes policiais.
“Fomos atirados em carros de detenção e levados para a esquadra. Disseram que era ordem superior.”
Segundo Dumild, os detidos foram submetidos a tortura psicológica, com ameaças e intimidações. “Vocês são jovens, não se metam nisso, diziam-nos”, contou. Por volta das 23 horas, os activistas foram transportados por agentes encapuzados e largados no Km 30, em plena escuridão. “Quando demos por conta, éramos quatro. Abraçámo-nos e agradecemos por estarmos vivos”, relatou.
O também activista Geraldo Dala confirmou que tudo começou dois dias antes, quando o Comando Provincial convocou uma reunião para discutir a vigília.
“O Director das Operações, Octávio Jonjo, disse que a actividade estava proibida e que a polícia devia usar todos os meios para impedir”, contou Dala.
No local da concentração, a polícia montou um forte aparato de repressão, com viaturas de patrulha, carros-prisão e agentes da Intervenção Rápida.
“Sem diálogo, prenderam 12 pessoas, incluindo um menor de 17 anos, apenas por estarem presentes”, denunciou.
Os detidos foram interrogados, fotografados e acusados de “incentivar actos de vandalismo”.
Por volta da meia-noite, foram divididos em grupos e abandonados em zonas afastadas, como Cacuaco, Km 25 e Km 30: “fomos deixados sem saber onde estávamos. Caminhámos até encontrar abrigo, contou Dala.”
O Decreto tentou, sem sucesso, ouvir o porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, Nestor Goubel, sobre as denúncias apresentadas.
O Decreto




