Hoje dirijo a minha atenção a uma das maiores companhias de construção civil em Angola, empresa ligada ao político e actual Governador da Província de Luanda, Luís Nunes.
A 16 de Junho do corrente ano, remeti uma reclamação formal ao Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, com conhecimento ao Procurador-Geral da República, ao Governador da Província de Luanda, ao Ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, à Ministra do Ambiente, bem como aos Grupos Parlamentares do MPLA e da UNITA.
Em causa estava a denúncia da degradação alarmante da qualidade de vida e o risco de morte lenta que ameaçava centenas de famílias residentes no bairro Kikuxi, na zona da Vila Flor, Município do Kilamba em Luanda, onde se encontrava em pleno funcionamento uma central de betão da OMATAPALO.
Na referida missiva, denunciávamos com clareza a grave agressão ambiental perpetrada por aquela unidade industrial em plena zona residencial.
A memória colectiva não esquece tragédias evitáveis. Todos nos recordamos da fatídica “vala da morte”, no Zango 2, um problema infra-estrutural que só mereceu a devida intervenção pública após custar a vida a várias famílias e depois de reiterados alertas sobre o perigo do bico saliente daquela via feitas por mim.
Essa correcção decisiva ocorreu durante o mandato de Manuel Homem enquanto Governador de Luanda — actual Ministro do Interior e o actual administrador de Viana, Demétrio António Brás de Sepúlveda. As matérias e denúncias jornalísticas que fiz na altura permanecem acessíveis nos arquivos públicos para qualquer cidadão consultar e basta uma básica pesquisa na google.
Se no passado não tive a oportunidade de expressar publicamente o devido reconhecimento a Manuel Homem pela pronta intervenção na Estrada Direita do Calumbo/Viana, faço-o hoje. Da mesma forma, estendo agora este agradecimento aos gestores e tomadores de decisão da construtora OMATAPALO.
Este sábado, dia 12 de Setembro, os moradores da Vila Flor informaram-me de que, na sequência dos alertas emitidos desde meados de Junho, a empresa suspendeu a produção de betão naquele local.
Com essa paralisação, cessou igualmente a emissão da poeira densa que centenas de cidadãos eram forçados a inalar diariamente — uma poluição sufocante que arrastava dezenas de pessoas para camas dos hospitais e culminava, lamentavelmente, na perda de vidas humanas. Daí o título deste editorial – “O meu muito obrigado à OMATAPALO – Coque Mukuta”
Reconhecer a capacidade de escuta e a correcção de rotas por parte de quem detém o poder económico e político é um dever de cidadania – sei obviamente que enquanto servidores públicos tem o dinheiro de nos ouvir – mas nem sempre o fazem. Por conta disso, o nosso muito obrigado.
A suspensão das actividades poluidoras no Kikuxi prova que a denúncia jornalística e a pressão das comunidades continuam a ser ferramentas fundamentais para a salvaguarda da vida humana em Angola.
Coque Mukuta
O Decreto
