A superintendente-chefe Clélia Marisa Canda Quissanga foi exonerada, esta semana, do cargo de comandante municipal do Rangel, em Luanda, por decisão do comandante-geral da Polícia Nacional de Angola, Francisco Monteiro Ribas da Silva.
A exoneração ocorre num momento em que o comandante-geral, conhecido por “Francisco Ribas”, enfrenta críticas por alegadas dificuldades em impor disciplina no seio da corporação.
Peritos de segurança ouvidos pelo O Decreto, recentemente, apontam falhas na aplicação da Lei n.º 10/25, de 02 de Outubro, que regula o regime disciplinar dos efectivos. Segundo as mesmas fontes, agentes continuam a agir com sentimento de impunidade, sem responsabilização efectiva: “isso fragiliza a actuação do comando num período sensível, como o eleitoral, que exige maior rigor”, referiu um especialista.
Entre os casos apontados está a participação de agentes em jogos de sorte e azar, prática proibida pelas normas internas da corporação.
No caso concreto do Rangel, Clélia Quissanga era apontada de violar de forma reiterada o artigo 7.º, alínea h, da referida lei, que proíbe a exposição de imagens de agentes uniformizados nas redes sociais.
A actuação do comando da Polícia Nacional contrasta com a do Serviço de Investigação Criminal (SIC), dirigido por Luciano Tânio Jorge Custódio Mateus da Silva. Dados disponíveis indicam que mais de 60 efectivos do SIC foram expulsos por conduta indecorosa, num processo considerado mais rigoroso em termos disciplinares.
Contactado pelo O Decreto, o comandante-geral da Polícia Nacional não respondeu, mas fomos surpreendido com a exoneração da Clélia Quissanga. Também a superintendente-chefe Clélia Quissanga não reagiu às tentativas de contacto.
Para o cargo da Clélia Quissanga, foi nomeado Emeurson Marcolino Laborinho Jala, até então segundo comandante municipal de Cacuaco.
