Movimento Social para Mudança no Icolo e Bengo acusa Auzílio Jacob de “desperdiçar” em acampamento juvenil – “que não resulta em nada”

O Secretário Provincial do Movimento Social para Mudança do Icolo e Bengo (MSM-IB), Valdemar Domingos, criticou duramente o governador provincial, Auzílio Jacob, acusando-o de “esbanjar dinheiros públicos” na organização do II Acampamento Provincial da Juventude, num momento de grave carência social na província.

O evento, que decorre na comuna da Funda (Sequele) e reúne cerca de 700 jovens de sete municípios durante uma semana, está a gerar uma forte vaga de contestação e polémica nas redes sociais.

Enquanto o governador provincial defende a iniciativa como um espaço fulcral para a “formação patriótica, capacitação e elevação da consciência nacional”, a oposição juvenil e diversos sectores da sociedade civil apontam o dedo ao que consideram ser um gasto supérfluo.

Num cálculo simples, se cada cidadão gastar, no mínimo, 12.000 kwanzas por dia, ao longo de 7 dias o gasto individual será de 84.000 kwanzas.

Considerando a participação de mais de 700 pessoas, o montante total gasto ascende a cerca de 58.800.000 kwanzas (84.000 × 700 = 58.800.000).

Para efeitos de comparação, este valor é equivalente ao custo de construção de uma escola com 12 salas de aula, evidenciando a dimensão dos recursos financeiros  desperdiçados.

“Gastam-se milhões de kwanzas num acampamento com música e dança, enquanto nos faltam escolas, hospitais, água potável e saneamento básico nas centralidades”, apontou Valdemar Domingos através das suas plataformas digitais, questionando directamente os custos logísticos com alojamento, alimentação e contratação de artistas de kuduro.

Para o líder juvenil, o investimento canalizado para o acampamento de sete dias entra em choque directo com a realidade da província, fustigada pelo desemprego, estradas degradadas e pela deficiente recolha de resíduos sólidos. Domingos contrapõe a urgência de programas de empregabilidade concretos e de infra-estruturas desportivas permanentes à realização de eventos de carácter “efémero”.

A província do Icolo e Bengo, recentemente redefinida na orgânica territorial, debate-se com uma forte pressão demográfica e um visível descontentamento popular. Recentemente, a acumulação de lixo em municípios como Calumbo e Sequele já tinha motivado protestos públicos, colocando a gestão de Auzílio Jacob sob forte pressão.

Coque Mukuta

O Decreto

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