Xadrez político angolano em fase de transferências: Zeka Muxima abre portas à oposição e afasta hipótese de ingressar no MPLA

O presidente do Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT), José Mateus Zecamutchima, conhecido politicamente por Zeka Muxima, afirmou que o seu movimento está disponível para estabelecer alianças com forças da oposição nas eleições gerais de 2027, mas afastou, de forma categórica, qualquer possibilidade de uma aproximação com o MPLA.

Em entrevista exclusiva à rubrica “Os Rostos da Política Angolana”, do portal O Decreto, Zeka Muxima disse que o MPPLT está aberto ao diálogo político com organizações que partilhem os seus objectivos, considerando que as alianças são indispensáveis para qualquer projecto político: “Nenhuma organização política sobrevive se não tiver alianças políticas com outras forças”, afirmou.

Segundo o líder do Protectorado, essas alianças deverão ser construídas apenas com forças políticas que defendam princípios compatíveis com a visão do movimento: “estamos disponíveis para trabalhar com aquelas forças progressistas que, na realidade, estejam em conexão com os objectivos pelos quais o Movimento do Protectorado luta, que é a autonomia das Lundas”, declarou.

Ao mesmo tempo, Zeka Muxima rejeitou qualquer entendimento com o MPLA, partido que governa Angola desde a independência, sustentando que a visão política do seu movimento é incompatível com o actual modelo de governação.

As declarações de Zeka Muxima surgem poucos dias depois do Protetorado divulgar uma nota pública em que reiterou o apelo ao diálogo com o Estado angolano e voltou a defender o reconhecimento da autonomia administrativa e financeira da região da Lunda Tchokwe.

O movimento sustenta que essa reivindicação assenta nos Tratados de Protectorado celebrados entre os soberanos Lunda Tchokwe e a Coroa Portuguesa entre 1885 e 1894, argumentando que aqueles acordos conferiam à região o estatuto de protectorado e não de colónia.

Na mesma nota, assinada pelo Zeka Muxima considera que essa condição histórica não foi respeitada durante o processo de descolonização nem aquando da proclamação da independência de Angola, em 1975.

Perante aquilo que considera ser uma questão de justiça histórica, o movimento apelou ao envolvimento de várias organizações internacionais, entre as quais a União Africana, a Organização das Nações Unidas (ONU), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a União Europeia, os Estados Unidos da América e a Santa Sé, para acompanharem o processo de diálogo.

O líder da organização dirigiu igualmente um apelo às autoridades tradicionais, às igrejas e à juventude angolana para apoiarem a defesa da autonomia das Lundas: “pedimos a sensibilidade e o suporte activo da Igreja Angolana, das autoridades tradicionais, que preservam a memória dos nossos tratados, e da juventude. O futuro do nosso povo depende da coragem de assumirmos a nossa autonomia hoje”, afirmou.

Quem é Zecamutchima?

De nome completo José Mateus Zecamutchima, nasceu a 5 de Maio de 1964, em Saurimo, actual capital da província da Lunda-Sul. É casado, pai de oito filhos, formado em Engenharia Informática e dedica-se à actividade política.

Assume como principal missão lutar pela autonomia da Lunda Tchokwe, defendendo um modelo de governação que permita aos habitantes da região decidir o seu próprio desenvolvimento.

Tem como lema de vida “Lutar persistentemente para alcançar os objectivos que defendo”. Nos tempos livres pratica desporto, sobretudo atletismo, aprecia a leitura de “As 21 Irrefutáveis Leis da Liderança”, de John C. Maxwell, e “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu.

O seu prato preferido é funge de bombô com peixe seco e prefere ouvir música tradicional Lunda Tchokwe e “slow” americano dos anos 80.

Questionado sobre onde se encontrava a 11 de Novembro de 1975, respondeu que estava em Luanda, com familiares que trabalhavam na Administração Colonial: “Tinha apenas 11 anos e não compreendia exactamente o que estava a acontecer. Era o período da guerra entre o MPLA e a FNLA. Pouco sabia sobre a UNITA”.

Coque Mukuta

O Decreto

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