Moradores denunciam furtos e criação de quadrilhas junto ao mercado dos Correios em Luanda

Residentes acusam supostos mecânicos de danificarem e furtarem viaturas e questionam actuação da fiscalização e da polícia em Luanda.
Moradores dos prédios próximos do mercado dos Correios, conhecido como Avó Cumbe, na rua Machado Saldanha, em Luanda, denunciam uma onda de furtos, danos em viaturas e ocupação irregular dos espaços junto aos edifícios, alegadamente praticados por pessoas que trabalham como mecânicos ao ar livre naquela circunscrição.

Em declarações à O Decreto, uma das moradoras identificada apenas por Dona Santa, afirmou que os residentes vivem actualmente numa situação de insegurança e acusou os supostos mecânicos de aproveitarem a proximidade dos prédios para mexerem nas viaturas estacionadas: “estamos expostos, completamente expostos”, afirmou.

Segundo a moradora, os homens ocupam diariamente os espaços junto aos edifícios para repararem as veículos, apesar de, segundo disse, existir sinalização proibindo aquela actividade no local.
Outra residente de nome Joana Sebastião afirmou que alguns dos indivíduos consomem bebidas alcoólicas e drogas no local, fazem necessidades fisiológicas nas proximidades dos prédios e deixam lixo e outros vestígios da sua permanência.
“Todos os dias antes de começar o trabalho, fazem fezes no nosso prédio”, relatou, acrescentando que os moradores possuem fotografias que, segundo ela, documentam algumas das situações denunciadas.

Segundo os moradores vários casos de furtos e danos em viaturas estacionadas nas imediações.

Uma das residentes contou que, depois de ter sido obrigada a retirar a garagem que utilizava para proteger o seu veículo, encontrou o carro vandalizado e com objectos furtados: “partiram o vidro, tiraram as coisas que eu tinha no carro”, afirmou, acrescentando que posteriormente também lhe terá sido furtada a placa da viatura.

A mesma moradora diz que outros residentes tiveram retrovisores, luzes e pequenas peças das viaturas furtadas ou danificadas.
Perante a insegurança, alguns residentes afirmam que passaram a guardar os veículos dentro das instalações da administração, pagando 500 kwanzas por noite.

A moradora estima que esta despesa represente cerca de 15 mil kwanzas por mês, por viatura, quando o estacionamento é utilizado regularmente: “para não me vandalizarem o carro, guardamos os carros dentro da administração”, explicou.

Os moradores dizem que esta situação representa um custo adicional para famílias que, segundo afirmam, já se sentem inseguras dentro e nas proximidades das suas próprias residências.

Os moradores dizem estar cansados da situação e pedem à administração local, fiscalização e forças de segurança uma intervenção no mercado dos Correios e nas áreas residenciais adjacentes.

“Estamos muito aflitos, muito cansados, agastados”, afirmou uma das residentes, que pede uma fiscalização efectiva da zona e o reforço da segurança.

A polícia ainda não se pronunciou sobre o assunto.

O Decreto

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